Particularidades e Manejo

Este setor é destinado aos filhotes com idades variando de 0 (zero) a 3 meses. Neste período são observados altos índices de perdas, portanto, podemos considerar esta fase como a mais crítica dentro do processo produtivo e a que requer maiores cuidados no que diz respeito a higiene e alimentação dos filhotes.

Para minimizar o desconforto e o estresse que normalmente acomete os filhotes criados comercialmente devemos, antes, conhecer a relação dos pais com seus filhotes na natureza. Em ambiente selvagem, todos os filhotes do grupo, independente da sua idade, são criados em sistema de creche e nunca são deixados sozinhos por seus pais, o que dá a eles uma sensação de conforto, além de ser uma estratégia de defesa e proteção. Além disso, o desenvolvimento do filhote, o comportamento de bicagem e a capacidade de beber e de se alimentar dependem da observação do comportamento de seus pais, que ensinam aos filhotes como beber e como reconhecer e bicar o alimento.

Ao contrário da natureza, nas criações comerciais os filhotes são criados sozinhos além de serem separados por idade. A conseqüência do abandono é bem marcante, pois, freqüentemente, são observados quadros graves de ansiedade e estresse, além do fato de que os filhotes em cativeiro freqüentemente acham difícil reconhecer a ração como comestível por falta do ensino parental, ou seja, a observação e os ensinamentos de seus pais. Nos criatórios comerciais, essa função é exercida pelos tratadores que ensinam aos filhotes como reconhecer o alimento, no caso, a ração servida nos comedouros; e também como beber água. Os filhotes também enxergam os tratadores como seus protetores, piando ansiosamente quando deixados sozinhos. Isso é chamado de impressão humana.

Em relação aos aspectos biológicos, os filhotes possuem necessidades térmicas mais rigorosas que os adultos e, apesar do avestruz ser considerada uma ave rústica e de fácil adaptabilidade às condições brasileiras, é uma espécie que habita campos abertos onde o calor do sol se espalha por todos os locais, portanto, ele não tem como fugir do sol escaldante e também não aprende facilmente a procurar abrigo durante o tempo frio ou chuvoso; além disso, em ambiente selvagem os filhotes buscam a proteção sob as asas de seus pais durante uma tempestade ou qualquer outra adversidade, sendo assim, os animais não prosperam em regiões cujo clima seja muito úmido e chuvoso sem que lhes sejam fornecidos abrigos e proteção.

De acordo com estas considerações, devemos manter sempre com os filhotes um “pastor”, que pode ser um filhote mais velho, uma fêmea jovem ou infértil, um tratador ou até mesmo um boneco; e devemos tomar cuidado com a temperatura dos aquecedores, pois os filhotes não saem debaixo da campânula quando está muito quente, muito menos a procuram quando o ambiente está frio, por isso, é necessário o monitoramento constante deste setor por funcionários treinados.

 

  
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