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Nutrição e
Manejo AlimentarAlimentação e nutrição
Em criações comerciais, para que os animais se
desenvolvam e alcancem os índices produtivos esperados, são
necessários uma boa genética, um manejo adequado, instalações
corretas e, principalmente, uma excelente nutrição, conseguida
através do conhecimento dos hábitos comportamentais e alimentares
do animal e através de alimentos de boa qualidade e em quantidades
suficientes. A alimentação dos organismos animais exige
a associação de diversos alimentos em uma ração.
Um animal selvagem escolhe os alimentos necessários e regula seu
consumo de acordo com a quantidade de energia que ele gasta por dia, e
a quantidade de energia e nutrientes que o alimento lhe proporciona, sendo
suficientes para satisfazer os requerimentos diários em quantidades
necessárias. Ao contrário dos animais selvagens, os animais
cativos (zoológicos) ou criados comercialmente recebem estes alimento
prontos todos os dias, por isso é importantíssimo conhecer
o animal, sua fisiologia, seus hábitos, e o tipo de alimento que
ele ingere para que possamos elaborar dietas com níveis nutricionais
adequados, ou seja, fornecer os alimentos certos em rações
que atendam os requerimentos nutricionais e de energia destes animais.
Este é o princípio básico da boa nutrição
dos animais.
Os avestruzes selvagens são onívoros, ou seja, comem desde
plantas, sementes, flores e raízes até insetos e pequenos
vertebrados, o que não deixa de ser uma adaptação
para a sobrevivência em regiões semi-áridas. Têm
hábitos diurnos e percorrem diariamente grandes distâncias
a procura de alimentos, agrupando-se freqüentemente, próximos
a uma fonte de água ou comida. Uma característica interessante
que vale ressaltar é o hábito de ingerir fezes, ou coprofagismo,
observado em todas as idades, e que contribui para a formação
da flora microbiana intestinal dos animais, além de disponibilizar
vitaminas do complexo B.
Apesar de ser uma ave, é considerado um monogástrico herbívoro devido
a sua capacidade de digerir e utilizar a parte fibrosa dos alimentos,
especialmente forragens, porém, possui um sistema digestivo peculiar e
não deve ser tratado como os outros herbívoros criados comercialmente.
Sendo assim, sua ração deve ser elaborada especificamente para atender
suas necessidades e de acordo com sua fisiologia e sua anatomia
fisiologia da digestão
O avestruz é considerado
um herbívoro monogástrico, o que significa que é
um animal de estômago simples (ao contrário dos ruminantes)
que desenvolveu a capacidade de digerir e utilizar a parte fibrosa dos
alimentos, sobretudo forragens. Não possui dentes, portanto, não
cortam a forragem, deste modo, pedaços fornecidos muito grandes
ou pastos muito altos podem ser prejudiciais pois são engolidos
inteiros.
O alimento e a água, após passarem pelo esôfago, são
armazenados no proventrículo ou estômago glandular onde terá
início a digestão química através das enzimas
do suco gástrico. Depois, o conteúdo estomacal amolecido
é movimentado, através de contrações, do proventrículo
para a moela onde será triturado. Estes movimentos podem ser auscultados
e em aves doentes, sua ausência indica paralisia gástrica.
A moela é muito musculosa e é o local onde são armazenadas
as pedras ingeridas pela ave.
Saindo da moela, o bolo alimentar passa para o intestino delgado, dividido
em duodeno e jejuno, onde ocorre a digestão de proteínas,
gorduras e carboidratos e também a absorção de nutrientes.
O intestino grosso, onde ocorre a digestão fermentativa das fibras
com altos teores de celulose através da ação de bactérias,
é dividido em ceco e cólon. O cólon é a região
do intestino com maior atividade fermentativa e onde ocorre considerável
absorção de água e nutrientes.
O avestruz tem capacidade de digerir celulose semelhante aos bovinos,
embora essa fermentação se dê através de todo
trato digestivo devido ao seu longo percurso e lenta taxa de passagem,
o que permite o crescimento de bactérias anaeróbias e de
fermentação microbiana. Esta é uma adaptação
para sobreviver em ambientes semi-áridos, com pouca oferta de alimentos
e pastagem de qualidade ruim, ou seja, alimentos com baixos valores nutricionais.
A capacidade de avestruzes em digerir fibras e gordura aumenta com a idade,
portanto, deve-se tomar muito cuidado na formulação das
dietas dos animais criados. A capacidade de digestão de fibras
depende da colonização do trato digestivo com as bactérias
adequadas, o que deve ser encorajada numa idade precoce (hábito
de ingerir fezes), e é extremamente afetado pelo uso de antibióticos,
administrados indiscriminadamente.
Alimentos e pastagens
Pesquisas e estudos relativos às
exigências nutricionais do avestruz e aos alimentos que melhor suprem
estas exigências ainda são limitadas. Não podemos
considerar eficiente a comparação com outras aves de corte,
bovinos, ou eqüinos pois os avestruzes possuem uma estrutura anatômica
e digestiva muito peculiar necessitando de alimentação adequada
e exclusiva à sua espécie. Também é difícil
considerar sua alimentação em ambiente selvagem pois vivem
em áreas semi-áridas e possuem a capacidade de adaptar a
dieta de acordo com as adversidades.
Como todos os seres vivos, os avestruzes necessitam de água, carboidratos,
proteínas, minerais e vitaminas e para termos um programa adequado
de nutrição, devemos conhecer também os alimentos
que podemos utilizar para o fornecimento de energia, proteínas
e fibras.
De uma maneira prática, podemos dividir os alimentos em concentrados
e volumosos. Alimentos concentrados são aqueles que possuem um
menor conteúdo de água e fibras e podem ser divididos de
acordo com o aporte principal que constitui a razão de seu poder
nutritivo, que pode ser em energia (milho), ou proteína, (farelo
de soja, farelo de algodão, farelo de trigo, farinha de peixe)
portanto, concentrados energéticos ou protéicos. Já
existe no mercado, rações comerciais prontas formuladas
para avestruzes que suprem a necessidade dos alimentos concentrados.
Alimentos volumosos são aqueles que possuem um conteúdo
elevado de fibras, de água, ou ambos. Alimentos como pastos e silagens,
caberiam entre os volumosos por fibra e água e a forrageira a ser
escolhida para pastejo irá depender de vários fatores como
a região, o clima e o solo da propriedade. Mas fora isso, devemos
procurar forrageiras que tenham como principais características,
no caso de gramíneas, folhas finas e tenras (braquiária,
andropogon, coast-cross, capim elefante) e no caso das leguminosas, folhas
pequenas e facilmente destacáveis como por exemplo alfafa, a mucuna,
o feijão guandú.
Existem outras fontes alimentares que são proibidas e/ou não
recomendadas para alimentação de avestruzes como no caso
da uréia, cama de frango, farinha de vísceras, farinha da
carne e farinha de osso.
Devemos ressaltar, que a qualidade da ração fornecida por
meio dos alimentos concentrados dependerá diretamente da matéria
prima usada, sendo que os ingredientes podem variar, por exemplo, de acordo
com a região, a época do ano e a proximidade dos centros
produtores de grãos; e que vitaminas e minerais são obrigatoriamente
adicionadas em todas as dietas para avestruzes.
Manejo alimentar
- (0 a 3 meses)
O avestruz nasce com aproximadamente 1kg de peso vivo e com pernas fracas
e descoordenadas, porém já são capazes de dar seus
primeiros passos e experimentar corridas curtas. Os filhotes se desenvolvem
rápido, crescendo e ganhando peso com muita eficiência, por
este motivo, se a dieta não for adequada para esta fase, teremos
problemas com a formação de seu esqueleto e da sua musculatura.
Devemos salientar que a habilidade de digerir fibras provenientes das
forragens aumenta de acordo com o desenvolvimento, se estabilizando com
aproximadamente 17 semanas (4 meses) e a ração fornecida
para esta fase deve ser do tipo “inicial” peletizada.
Na primeira semana, o saco vitelínico será a principal fonte
de alimento e água para o filhote e sua absorção
deverá ocorrer entre os primeiros 15 dias de vida. É necessário
ensinar os filhotes a comer já que não possuem a impressão
de seus pais, portanto, um tratador “bicando” com a mão
o alimento no cocho, pode ser interessante. É muito recomendado
o fornecimento de alfafa fresca picada, porém em quantidades limitadas,
para estimular o consumo de alimento. Nesta primeira etapa, é aconselhável
o fornecimento de pequenas quantidades de ração várias
vezes ao dia, e a possibilidade de se exercitarem pelo menos duas horas
por dia em condições climáticas favoráveis,
aumentando gradativamente.
A partir dos 30 dias, os filhotes já passam quase todo o período
do dia em movimento nos piquetes e já fazem uso do pasto como parte
da dieta. A ração inicial será utilizada até
os 90 dias e o fornecimento deverá ser regido pela condição
corporal do animal, variando de 300-800 g diárias divididas em
quatro porções. Também deverá ser fornecido
pedras (seixo rolado ou pedra de rio) com o tamanho de metade da unha
do pé da ave. Essa oferta de pedras deverá ser gradativa
e em poucas quantidades, para que não haja problemas de impactação.
Devemos salientar que o hábito de ingerir fezes, ou seja, coprofagia,
é uma prática natural do avestruz, independente da sua faixa
etária. Neste ato ocorre a colonização intestinal
e a ingestão de vitaminas do complexo B, que são produzidas
pelas bactérias colonizadas principalmente no ceco dos animais.
setor de recria (4-16 meses)
Após os três meses de idade,
os filhotes são considerados animais jovens e não necessitam
mais de cuidados extremos pois já estão mais resistentes
e adaptados às adversidades, passando todo o tempo em piquetes.
Apesar disso, ainda estão se desenvolvendo rapidamente e ganhando
peso, por isso, a ração fornecida deve atender suas exigência
e ser especifica para a fase de “crescimento”. Os animais
crescem continuamente até os 12-14 meses tendendo a se estabilizar
depois, portanto devemos levar em consideração a genética
do animal e seu destino, ou seja, produção de carne ou reprodução,
para estabelecer uma dieta adequada. É bom lembrar que o consumo
está diretamente relacionado com a energia que o alimento fornece
e que no final do período de crescimento o consumo alimentar começa
a declinar.
As aves receberão aproximadamente 1,0 até 1,6 kg de ração
por ave/dia, calculada em função de seu peso vivo . Esta
quantidade é dividida de acordo com o manejo da propriedade, normalmente
de manhã e à tarde, já que não se alimentam
no período da noite. O pasto deve ser mantido roçado baixo
para evitar a ingestão de porções muito longas e
deve ser fornecida forrageira picada de boa qualidade, diariamente, até
a quantidade de 1,4 kg. A quantidade de fibras na dieta aumenta de acordo
como crescimento dos animais.
Devemos ressaltar que nesta fase da criação estamos lidando
com animais de idades e pesos variados, mas que estão sendo manejados
da mesma maneira. Por este motivo, devemos tomar cuidado com a quantidade
de energia que é fornecida para que os animais não acumulem
gordura.
setor de reprodução
(animais adultos)
Os reprodutores são animais com
uma genética diferenciada que foram selecionados de acordo com
suas características produtivas, entre elas, sua precocidade sexual,
estrutura corporal, capacidade de gerar um grande número de filhotes
viáveis e sua capacidade em ganhar peso. Estas características
só irão se manifestar se o manejo e a nutrição
dos animais permitirem.
A alimentação de adultos se divide em duas etapas bem distintas,
sendo que as rações devem ser específicas para cada
uma delas: a primeira é a de reprodução propriamente
dita e a outra é quando eles estão fora da reprodução,
num período chamado de manutenção.
Durante o período de manutenção, normalmente, os
machos são mantidos em seus respectivos piquetes e as fêmeas
são concentradas em um único piquete. Este manejo é
adotado para poupar os reprodutores e também para minimizar os
custos com ração, já que as dietas são ajustadas
para quantidades menores evitando o excesso de alimento e um acúmulo
de gordura. Pode ser utilizada a mesma ração de crescimento
tomando o cuidado de ajustar o consumo apenas para a manutenção,
fornecendo de 1 a 1,5kg de ração por ave/dia. Nesta fase
os animais também devem receber forrageiras, sendo aceitável
pastos de pior qualidade, porém, devemos salientar que quanto melhor
a qualidade do pasto, melhor o desempenho do animal.
A ração de manutenção deverá ser substituída
gradativamente um mês antes do período reprodutivo para a
ração de postura ou reprodução. Nesta fase
os animais necessitam de maior quantidade de energia e proteínas
além de uma suplementação de vitaminas e minerais
na ração de reprodução, principalmente para
as fêmeas devido a formação da casca dos ovos. Em
fase reprodutiva, os avestruzes deverão receber ração
balanceada numa quantidade em torno de 2,0 a 2,5 kg por ave/dia, além
de uma forrageira de boa qualidade oferecida no cocho ou sobre pastejo.
Essa ração pode ser dividida em duas porções
diárias, pela manhã e à tarde, acrescidas de forragem
verde picada, que também pode ser fornecida sozinha no meio da
tarde.
O número de ovos fertilizados está diretamente relacionado
com a nutrição dos reprodutores, assim como a qualidade
dos ovos- que devem conter nutrientes necessários para o bom desenvolvimento
do filhote- está relacionada com a nutrição das matrizes.
Deve-se tomar cuidado na alimentação de adultos no que se
refere a níveis de cálcio e na suplementação
da dieta com cálcio, pois há um risco muito grande em se
ter uma suplementação excessiva, o que poderá acarretar
prejuízos principalmente para os machos, pois o excesso de cálcio
afeta a maturação dos espermatozóides, interferindo
na absorção de zinco e manganês; portanto deve ser
feita somente ao se notar que os ovos estão com problemas de casca
ou se as fêmeas apresentarem deficiência em cálcio
(hipocalcemia).
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