Incubação

Incubação natural x Incubação artificial

Em ambiente selvagem, os avestruzes vivem em grupos gregários heterogêneos, sendo que na época do acasalamento, tendem a formar pares ou haréns compostos por um macho e até quatro fêmeas. As fêmeas apresentam entre si uma relação de dominância, onde a fêmea principal põe o maior número de ovos no único ninho feito pelo macho, e as submissas, eventualmente, botam seus ovos em ninhos de outros grupos. Quando a quantidade de ovos alcança um determinado número enchendo o ninho, as posturas são interrompidas, começando assim, o período de incubação dos ovos, sendo que apenas a fêmea dominante e o macho chocam os ovos se revezando no trabalho. O macho preto fica no ninho durante a noite, e a fêmea parda fica durante o dia, camuflada e protegida pela vegetação de gramíneas. A incubação dura em torno de 42 dias, ao fim dos quais nascem os filhotes que são cuidados pelo casal.

Na incubação natural, o ovo está em contato com a pele dos pais, e a temperatura da parte superior do ovo é sempre mais alta que a da parte inferior. Esta diferença de temperatura se reduz com o tempo, e o ovo se esquenta em sua totalidade à medida que o desenvolvimento avança. Conforme o embrião se desenvolve, ele começa a produzir calor através de processos metabólicos e quanto maior for seu tamanho, mais calor emitirá, o que aumenta a temperatura do ovo, principalmente na última etapa de desenvolvimento, quando o embrião já está quase formado. Os ovos incubados são ventilados pela ave quando esta fica em pé, protegendo-os do sol com seu corpo e também pelas suas asas. Os ovos se esfriam quando os pais se revezam durante sua incubação. Este controle da temperatura é fundamental para o desenvolvimento do filhote.

Em criações comerciais, embora seja possível trabalhar com incubação natural, esta não é muito viável devido a interrupção das posturas e o período que a fêmea passa chocando os ovos e cuidando dos filhotes, fatos que diminuiriam muito a produtividade total (de ovos e filhotes viáveis) da estação. Além disso, as condições climáticas brasileiras são diferentes de acordo com cada região, sendo assim, nas regiões mais úmidas, os índices de contaminação dos ovos em contato com o solo molhado seriam muito altos.
Com o objetivo de produzir avestruzes fora de seu clima habitual, desenvolveu-se uma maneira de manipular o ambiente, para fornecer ao ovo uma incubação adequada. A incubação artificial de ovos, por meio de incubadoras que simulam os índices de temperatura e umidade ideais, tem se mostrado fundamental para o processo produtivo e o sucesso depende de uma série de fatores, tais como o manejo e a nutrição dos reprodutores; o manejo do ovo desde a coleta até a incubação; a sanidade das instalações e dos funcionários, e a correta escolha dos equipamentos, como a incubadora e o nascedouro.

características do ovo

O ovo de avestruz é o maior existente e equivale, aproximadamente, a 24 ovos de galinha doméstica. Possui forma ovalada, com média de 14 -18 cm de altura por 12-15 cm de largura, podendo pesar de 1000 a 2000 g dependendo da subespécie, sendo que a média varia de 1300 a 1700 g., e sua casca, cuja coloração varia do branco total ao bege, tem a aparência de uma porcelana e é bem grossa e resistente, com espessura variando de 1,5 a 3,0 mm e suportando um peso aproximado de 200Kg.

Os ovos possuem poros que influenciam na textura das cascas e são necessários para a passagem de gases, entrada de oxigênio e saída de dióxido de carbono e água, na forma de vapor. Estes poros, logo após a postura, estão recobertos por uma camada protetora natural que funciona como uma barreira de defesa e que dá ao ovo um aspecto molhado e brilhante. Esta camada, durante o processo de incubação, vai secando e permitindo a troca gasosa entre o ambiente externo e o embrião. Ovos muito porosos, com defeitos de deposição de cálcio, com fissuras e trincas, não devem ser incubados, pois são mais susceptíveis à penetração e à contaminação por bactérias e fungos.

Quanto à composição de seu conteúdo, 1/3 corresponde à gema e 2/3 à clara (albumina). A gema proporciona energia para o desenvolvimento do embrião durante a incubação e a clara é fonte de água, proteínas e vitaminas além de atuar como proteção física e antimicrobiana. A gema deve ficar centrada no ovo e não deve ter contato com as membranas internas deste, permitindo que o embrião se desenvolva com normalidade.

A qualidade da casca depende intimamente da boa saúde das matrizes e principalmente da nutrição, que deve ser adequada para a fase de reprodução. Fêmeas cuja dieta seja deficiente em minerais, principalmente cálcio, na fase de reprodução, produzem ovos com textura muito porosa e casca mais fina, já dietas com excesso de minerais, produzem ovos pouco porosos devido à sobreposição de camadas de cálcio. Estes dois quadros comprometem o processo de incubação.

Manejo dos ovos

Para que o processo de incubação seja bem sucedido e alcance índices de nascimentos satisfatórios, são necessários reprodutores de boa genética, nutrição adequada, equipamentos certos e manejo correto de animais e dos ovos. Os avestruzes fazem a postura dos ovos em ninhos feitos no chão, a campo, o que significa que ele está sujeito ao meio ambiente e suas variações, assim como, predadores, pisoteio e manuseio incorreto. Todos estes fatores podem afetar sua viabilidade e até mesmo levar à sua inutilização.

A maioria dos ovos são postos no final da tarde e devem ser coletados o mais rápido possível, pois são muito susceptíveis a contaminação. Quanto mais tempo permanecerem nos piquetes, maior o contato com urina, fezes, barro e umidade. Como não é aconselhável movimento de pessoas no setor de reprodução, a vistoria dos piquetes para constatação e retirada dos ovos pode ser conciliada com o manejo alimentar da propriedade, de 2 a 3 vezes por dia, quando os animais ficam distraídos se alimentando. A coleta dos ovos deve ser feita com muito cuidado para se evitar acidentes, principalmente com o macho, e o funcionário que realizar a tarefa deve usar sacos plásticos para coletar e acondicionar o ovo, evitando assim, o contado direto com as mãos. Para um adequado controle é aconselhável anotar no ovo coletado, o número do piquete, a data da postura e o numero do ovo. Essa marcação pode ser feita com lápis, pois o grafite é inócuo e removível.

Após coletados, devem ser pesados e vistoriados por meio de uma ovoscopia para que sejam descartados ovos com fissuras ou rachaduras. Para viabilizar o processo de incubação, os ovos são, normalmente, separados por lotes semanais e armazenados em local especifico para este fim. Desta maneira, poderão dar entrada nas incubadoras, um ou mais lotes por semana, de acordo com a produtividade. Os ovos podem ser estocados em carrinhos ou estantes, na posição horizontal, por até 7 dias sem comprometimento da eclosão. A sala de estocagem deve ter temperatura controlada em torno de 15º C a 18º C para que o embrião não se desenvolva antes do tempo e umidade em torno de 70 - 80% para evitar a perda de massa (umidade) do ovo antes da incubação.

Antes dos ovos entrarem na incubadora eles devem ser pré-aquecidos até alcançarem a temperatura de 20º C a 28º C . Isso pode ser feito na mesma sala de estocagem, desligando o ar condicionado e deixando-os apenas na temperatura ambiente por 8 -12 horas.
Deve-se ressaltar que qualquer manejo feito com os ovos segue um rígido controle sanitário, das instalações e dos funcionários.

Biossegurança do incubatório

A incubação artificial de ovos, por meio de incubadoras que simulam os índices de temperatura e umidade ideais, tem se mostrado fundamental para o processo produtivo, pois possibilita a maximização da produção, já que podemos incubar um grande número de ovos de uma só vez, controlando desta maneira a época dos nascimentos.

Uma das causas mais comuns de baixa fertilidade e baixas taxas de eclodibilidade é a infecção do ovo antes ou durante a incubação. O processo de incubação deve manter condições higiênicas estritamente rigorosas, fazendo parte de um complexo processo chamado biossegurança, especificamente direcionado para a prevenção de qualquer agente infeccioso que possa atuar como um risco à saúde. A completa higienização das instalações, dos equipamentos e dos funcionários deve fazer parte da rotina diária do incubatório e começa já na entrada do mesmo.

O complexo destinado ao processo de incubação deve ser cercado e bem afastado dos demais setores da criação (100 m) e conter um pedilúvio com desinfetante de uso veterinário. A entrada para o setor e para o prédio do incubatório deve ser controlada e restrita à equipe de trabalho, que deve seguir uma rotina de higienização e usar somente os uniformes e botas específicas do incubatório, lavados diariamente.

O incubatório deve conter salas separadas de acordo com sua função como, escritório, vestiários, sala de armazenagem, sala de incubadoras, sala para nascimentos, e a maternidade, onde os filhotes ficam apenas um dia. O fluxo de funcionários pelo complexo deve seguir rigorosamente esta ordem, ou seja, somente no sentido crescente das fases de produção e de contaminação, e nunca o contrário, e cada sala deve conter os materiais necessários para seu trabalho diário de acordo com a função, de modo que não ocorra empréstimos de materiais, já que estes podem transportar os agentes contaminantes.

As instalações devem ser limpas com freqüência, com a desinfecção do piso pelo menos uma vez por semana. Os equipamentos, como incubadoras e nascedouros, devem ser fumigados e desinfetados entre cada lote de ovos, por dentro e por fora. Os utensílios também devem ser desinfetados logo após o uso e os filtros de ar devem ser limpos com freqüência.

Enfim, é imprescindível, além de conhecimento necessário e funcionários devidamente treinados, a presença de um profissional especializado, no caso um médico veterinário, para a implantação dos protocolos sanitários e acompanhamento constante.

Incubação

A incubação artificial é feita em equipamentos que simulam artificialmente as condições ideais de temperatura e umidade para o bom desenvolvimento do embrião. Estes equipamentos, ou seja, as incubadoras, possibilitam que vários ovos sejam incubados de uma só vez, maximizando a produção.

A sala de incubação deve ser mantida em temperatura de 20º a 25ºC e a umidade relativa não deve exceder 40%. A ventilação é um fator importante para prover oxigenação adequada para o crescimento normal do embrião e também para controlar a umidade relativa do ar. Durante os meses mais quentes pode-se utilizar um sistema de ar condicionado reverso para reduzir a temperatura e umidade relativa, além de remover o ar viciado e prevenir instalação de bactérias.

Existem vários tipos de incubadoras, sendo que todas cumprem bem sua função. Os ovos são colocados na incubadora com a câmara de ar, que é detectada na ovoscopia, normalmente virada para cima. Costuma-se fazer, pelo menos, mais 2 ovoscopias para controlar o desenvolvimento do embrião, sendo que a primeira é feita no 14º dia de incubação para que os ovos inférteis ou contaminados sejam logo eliminados do processo, e a outra, na transferência do ovo para o nascedouro (39º dia). Pode ser realizada uma ovoscopia no meio do processo para identificação de morte embrionária, evitando assim futura contaminação do ovo devido a putrefação do embrião. Durante o processo, o ovo deve ser virado constantemente para que o embrião não sofra aderência na casca e também tenha acesso à albumina fresca (clara), assegurando deste modo um desenvolvimento adequado. A viragem também é importante para que o embrião tenha um suprimento ótimo de oxigênio da câmara de ar e não se desenvolva na posição errada, e deve ser feita, pelo menos, três vezes ao dia.

A temperatura da incubadora mais comumente recomendada varia de 35 a 37ºC e a umidade relativa, que controla a perda de peso do ovo dentro da incubadora, deve variar de 20 a 25%. A ventilação (troca de ar entre a incubadora e o ambiente externo) deve ser realizada através de ventiladores internos que se movimentem adequadamente, evitando o acúmulo de dióxido de carbono no interior da incubadora.

Com poucos dias, pode-se ouvir os batimentos cardíacos do embrião. Depois de nove dias de incubação, a cabeça e o corpo já estão formados. Aos 14 dias, seu desenvolvimento já se completou, e a partir daí só deverá aumentar de tamanho. O embrião se move constantemente durante todo o processo de incubação. Realiza uma infinidade de movimentos e termina posicionando-se com seu bico em direção à membrana da câmara de ar, para rompê-la posteriormente.

nascimento

Após 39 dias de incubação, os ovos são transferidos para o nascedouro depois de feita a última ovoscopia. O embrião se move constantemente durante todo o processo de incubação e termina posicionando-se com seu bico em direção à membrana da câmara de ar, para rompê-la posteriormente.

Inicia-se então a eclosão, caracterizada pela redução de suprimento de oxigênio do filhote. Para evitar sufocamento, o filhote posiciona sua cabeça acima de seus dedos do pé e empurra seu bico em direção à câmara de ar, até perfurar a membrana. Vinte e quatro horas depois de tê-la rompido, devem sair da casca e respirar o ar externo. Os músculos do pescoço do filhote ficam enrijecidos e permitem que sua cabeça quebre a casca e, a partir deste momento, o filhote possui um suprimento de oxigênio ilimitado e pode continuar o processo de eclosão. O ideal é que o pequeno avestruz complete o processo de nascimento saindo do ovo por si só. Isto lhe permite assimilar os nutrientes da bolsa da gema (saco vitelínico) além de seu umbigo se contrair e se fechar, diminuindo a possibilidade de infecção.

Se após 12 horas, a ovoscopia revelou que o filhote perfurou a câmara de ar, mas não é capaz de quebrar a casca, esta deve ser quebrada na região da câmara de ar e o filhote deve ser ajudado no processo de nascimento. Não se deve ter pressa para assistir ao filhote nem removê-lo precocemente da casca, sendo que o cordão umbilical de filhotes assistidos deve ser curado com desinfetante, pois está altamente susceptível a infecções. Caso o saco vitelínico ainda esteja um pouco exteriorizado, deve-se empurrá-lo para dentro do ventre massageando lentamente. Na maternidade o filhote deve ser posicionado sentado sobre o ventre.

Os filhotes, assistidos ou não, devem permanecer no nascedouro até estarem completamente secos. Após terem sido tomados os cuidados com a higienização do umbigo, pesagem e identificação dos filhotes, estes são levados para a maternidade e mantidos a uma temperatura de 30ºC por meio de uma lâmpada de infravermelho ou aquecedor elétrico. No dia seguinte são levados para o setor de cria, com piquetes externos para começarem a se exercitar.

 

  
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